domingo, 7 de junho de 2009

Ao momento presente

Deixe que ele respire, como uma coisa viva. E tenha muito cuidado: ele pode quebrar.Como um bebê ou um cristal: tome-o nas mãos com muito cuidado. Ele pode quebrar, o momento presente. Escolha um fundo musical adequado — quem sabe, Mozart, se quiser uma ilusão de dignidade. Melhor evitar o rock, o samba-enredo, a rumba ou qualquer outro ritmo agitado: ele pode quebrar, o momento presente. Como um bebê, então, a quem se troca as fraldas, depois de tomá-lo nas mãos, desembrulhe-o com muito cuidado também. Olhe devagar para ele, parado no canto do quarto ou esquecido sobre a mesa, entre legumes, ou misturado às folhas abertas de algum jornal. Contemple o momento presente como um parente, um amigo antigo, tão familiar que não há risco algum nessa presença quieta, ali no canto do quarto. Como a uma laranja, redonda, dourada — mas sem fome, contemple o momento presente. Como a cinza de um cigarro que o gesto demorou demais, caída entre as folhas de um jornal aberto em qualquer página, contemple o momento presente. E deixe o vento soprar sobre ele.Desligue a música, agora. Seja qual for, desligue. Contemple o momento presente dentro do silêncio mais absoluto. Mesmo fechando todas as janelas, eu sei, é difícil evitar esses ruídos vindos da rua. Os alarmes de automóveis que disparam de repente, as motos com seus escapamentos abertos, algum avião no céu, ou esses rumores desconhecidos que acontecem às vezes dentro das paredes dos apartamentos, principalmente onde habitam as pessoas solitárias. Mas não sinta solidão, não sinta nada: você só tem olhos que olham o momento presente, esteja ele — ou você — onde estiver. E não dói, não há nada que provoque dor nesse olhar.Não há memória, também. Você nunca o viu antes. Tenha a forma que tiver — um bebê, um cristal, um diamante, uma faca, uma pêra, um postal, um ET, uma moça, um patim — ele não se parece a nada que você tenha visto antes. Só está ali, à sua frente, como um punhado de argila à espera de que você o tome nas mãos para dar-lhe uma forma qualquer — um bebê, um cristal, um diamante e assim por diante. E se você não o fizer, ele se fará por si mesmo, o momento presente. Não chore sobre ele. No máximo um suspiro. Mas que seja discreto, baixinho, quase inaudível. Não o agarre com voracidade — cuidado, ele pode quebrar. Não ria dele, por mais ridículo que pareça. Fique todo concentrado nessa falta absoluta de emoção. Não espere nada dele, nenhuma alegria, nenhum incêndio no coração. Ele nada lhe dará, o momento presente.Deixe que ele respire, como uma coisa viva. Respire você também, como essa coisa viva que você é. Contemple-o de frente, igual àquela personagem de Clarice Lispector contemplando o búfalo atrás das grades da jaula do jardim zoológico. Você pode estender a mão para ele, tentar uma carícia desinteressada. Mas será melhor não fazer gesto algum.Ele não reagirá, mesmo todo pulsante, ali à sua frente.Respire, respire. Conte até dez, até vinte talvez. Daqui a pouco ele vai começar a se transformar em outra coisa, o momento presente. Qualquer coisa inteiramente imprevisível? Você não sabe, eu não sei, ele não sabe: os momentos presentes não têm o controle sobre si mesmos. Se o telefone tocar, atenda. Se a campainha chamar, abra a porta. Quando estiver desocupado outra vez, procure-o novamente com os olhos. Ele já não estará lá. Haverá outro em seu lugar. E então, como a um bebê ou a um cristal, tome-o nas mãos com muito cuidado. Ele pode quebrar, o momento presente. Experimente então dizer “eu te amo”. Ou qualquer coisa assim, para ninguém.

Caio Fernando Abreu
O Estado de S. Paulo, 11/3/1987 - In`Pequenas Epifanias

segunda-feira, 1 de junho de 2009

O pesadelo nuclear

Quinze dias ausente dos posts. Bem, nesse meio tempo, muitas referências novas, descobertas, muito jazz e novos sabores todos os dias. Mais adiante compartilharei algumas delas. Mas, o que mais me marcou nesse período foi um episódio que não poderia deixar de comentar. Estive preparando uma aula para meus alunos de oitavo ano sobre a bomba de Hiroshima e coincidentemente nesse mesmo período aconteceram os novos testes nucleares na Coréia do Norte. Em Hiroshima o Relógio da Paz foi novamente zerado após esses novos testes, isso nos preocupa e entristece. Segue uma reportagem especial realizada pelo programa Fantástico da Rede Globo em 1976, pelo então repórter Hélio Costa, que voltou a Hiroshima para nos contar essa história que nos estarrece a todos:





Um amigo querido me mandou esse texto hoje. De acordo com um pensamento chinês 'se você quer mudar o mundo primeiramente dê três voltas em torno de sua casa'. Acredito que as grandes transformações começam com pequenas mudanças como por exemplo em nossa atitude diante da vida:

Lei do Caminhão de Lixo

Um dia peguei um taxi e fui direto para o aeroporto. Estávamos rodando na faixa certa quando repente um carro saiu de um estacionamento na nossa frente. O motorista do taxi pisou no freio, desviou e escapou do outro carro por um triz! O motorista do outro carro sacudiu a cabeça e começou a gritar para nós.
O motorista do taxi apenas sorriu e acenou para o cara. E eu quero dizer que ele o fez bastante amigavelmente.

Assim eu perguntei: 'Porque você fez isto? Este cara quase arruína o seu carro e nos manda para o hospital!'

Foi quando o motorista do taxi me ensinou o que eu agora chamo 'A Lei do Caminhão de Lixo". Ele explicou que muitas pessoas são como caminhões de lixo, Andam por ai carregadas de lixo cheias de frustrações, cheias de raiva, e de desapontamento a medida que suas pilhas de lixo crescem elas precisam de um lugar para descarregar e às vezes descarregam sobre a gente, não tome isso pessoalmente apenas sorria, acene, deseje-lhes bem, e vá em frente, não pegue o lixo delas e espalhe sobre outras pessoas no trabalho, em casa, ou nas ruas.

O princípio disso é que pessoas bem sucedidas não deixam as frustrações dos outros estragarem o seu dia.
A vida é muito curta para levantar cedo de manhã com remorso, assim... Ame as pessoas que te tratam bem.
Ore pelas que não o fazem.

A vida é dez por cento o que você faz dela e noventa por cento a maneira como você a recebe!
(autor desconhecido)